Entenda o caso
O que aconteceu com o Banco Master, explicado do começo
Um banco pequeno virou uma máquina de captar dinheiro, tentou ser vendido a um banco público e quebrou. Veja, em ordem, o que aconteceu e o que a investigação diz até agora.
Neste artigo
Resumo em 30 segundos
- O Banco Master cresceu vendendo CDBs que pagavam bem acima do mercado, com destaque nas plataformas de investimento e a garantia do FGC como argumento de venda. (CNN Brasil)
- Em 2025, o BRB, banco público do Distrito Federal, tentou comprar o Master. O Banco Central barrou a operação em setembro. (Wikipedia (EN))
- Em novembro de 2025, o BC liquidou o Master e a PF prendeu Daniel Vorcaro. Para a PF, operações fictícias entre Master e BRB somam cerca de R$ 17 bilhões. (CNN Brasil, InfoMoney)
- O FGC calcula cerca de R$ 40,6 bilhões em garantias para 800 mil investidores, o maior pagamento da história do fundo. (InfoMoney, Wikipedia (EN))
De Máxima a Master
O banco vem da Máxima Corretora, fundada em 1974, que virou o Banco Máxima em 1990 (Wikipédia). Daniel Vorcaro assumiu o controle entre 2018 e 2019, com aprovação do Banco Central, e em 2021 a instituição passou a se chamar Banco Master (Wikipédia).
Em poucos anos, o banco se multiplicou. Entre 2019 e 2024, o patrimônio líquido foi de R$ 200 milhões para R$ 4,7 bilhões, e a carteira de crédito, de R$ 1,4 bilhão para R$ 40 bilhões (Wikipédia). O grupo passou a incluir o Banco Master de Investimento, o Letsbank e, a partir de fevereiro de 2024, o Will Bank (Wikipédia, Bora Investir (B3), Gazeta do Povo).
Como o banco atraía dinheiro
O principal combustível eram os CDBs. O Master oferecia papéis que pagavam 120%, 140% e até 160% do CDI, um retorno muito acima do mercado. Nas plataformas de investimento, esses papéis apareciam em destaque, e as plataformas ganhavam mais a cada CDB emitido, o que a imprensa apontou como conflito de interesses (CNN Brasil).
Para quem desconfiava da taxa alta, o argumento era a garantia do FGC, que cobre até R$ 250 mil por investidor (CNN Brasil). Na prática, muita gente comprou olhando só o retorno. Quando o banco quebrou, a conta ficou com o FGC, um fundo mantido pelas próprias instituições financeiras.
A tentativa de venda ao BRB
Em 28 de março de 2025, o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, anunciou a compra do Master. A Câmara Legislativa do DF aprovou o negócio em agosto, mas o Banco Central rejeitou a operação em 3 de setembro de 2025 (Wikipedia (EN), Wikipédia).
A tentativa de venda é um dos centros da investigação. Ela também está por trás de reportagens sobre conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o presidente do BC, contadas em Vorcaro e Moraes.
O que a PF diz que aconteceu
Segundo relatório da Polícia Federal divulgado em setembro de 2026, operações fictícias ou sem lastro entre o Master e o BRB somam cerca de R$ 17 bilhões. De acordo com a PF, o Master vendia ao BRB carteiras de crédito que não existiam. Os créditos passavam por uma empresa de fachada, e a equipe de tecnologia do banco usava programas para gerar Cédulas de Crédito Bancário em lote a partir de CPFs (InfoMoney).
Ainda segundo a PF, a partir de abril de 2025 gestores do Master, com ajuda de gestores do BRB, passaram a fabricar documentos falsos em série para encobrir um desvio de R$ 12,2 bilhões do banco público (Metrópoles). Para os investigadores, a direção do BRB tinha ciência das operações e “não foi vítima” (Metrópoles).
Essas são conclusões da investigação, não uma condenação. Os citados ainda podem se defender na Justiça, e ninguém foi julgado até agora.
A quebra e o FGC
Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso no Aeroporto de Guarulhos. No dia seguinte, a PF deflagrou a Operação Compliance Zero, e o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master (CNN Brasil, Wikipédia). O Will Bank foi liquidado em 21 de janeiro de 2026 (InfoMoney).
O FGC calcula cerca de R$ 40,6 bilhões em garantias para aproximadamente 800 mil investidores (InfoMoney), o maior desembolso da história do fundo (Wikipedia (EN)). Até 2 de abril de 2026, 89% dos credores já tinham recebido (Bora Investir (B3)). Para simular o seu caso, use o simulador do FGC.
Onde o caso está agora
- Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março de 2026 (Jornal do Brasil).
- A delação dele foi rejeitada pela PF e pela PGR. Veja Delação de Vorcaro.
- A investigação já teve dez fases, com alvos que vão de executivos a políticos de vários partidos. Veja Operação Compliance Zero.
- No STF, o julgamento sobre o relatório da PF que envolve o ministro Alexandre de Moraes está suspenso por pedido de vista (Congresso em Foco).
O que diz a defesa
A defesa de Vorcaro afirma que as informações vazadas à imprensa são seletivas, fragmentadas e descontextualizadas, e pediu a revogação da prisão preventiva (Gazeta do Povo, Jornal de Brasília).
Perguntas frequentes
O Banco Master faliu?
O termo técnico é liquidação extrajudicial, decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. O banco foi fechado, os administradores foram afastados, e um liquidante passou a cuidar dos bens para pagar os credores.
Por que o Master pagava tanto nos CDBs?
Era a forma de o banco captar dinheiro rápido. A garantia do FGC, de até R$ 250 mil por investidor, reduzia o medo de quem investia, e as plataformas davam destaque aos papéis.
O que o BRB tem a ver com o caso?
O BRB, banco público do Distrito Federal, tentou comprar o Master em 2025. Segundo a PF, também comprou do Master carteiras de crédito que, em grande parte, não existiam.
Quanto o caso custou?
Só em garantias, o FGC calcula cerca de R$ 40,6 bilhões. A PF aponta cerca de R$ 17 bilhões em operações fictícias entre o Master e o BRB.
Fontes desta página
Reunimos o que foi publicado por estes veículos e documentos. Clique para ler o original.
- CNN Brasil: As lições do Master para plataformas de investimento e nós, a imprensa (blog de Fernando Nakagawa) (18/11/2025)
- Wikipedia (EN): Banco Master scandal (verbete com referências)
- CNN Brasil: Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é solto com tornozeleira eletrônica (nov/2025)
- InfoMoney: PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB (13/09/2026)
- InfoMoney: FGC: tudo sobre os pagamentos a investidores de Banco Master e Will Bank (jan/2026)
- Wikipédia: Banco Master (verbete com referências)
- Wikipédia: Daniel Vorcaro (verbete com referências)
- Wikipédia: Escândalo do Banco Master (verbete com referências)
- Bora Investir (B3): Total das garantias do Caso Master no FGC passa de R$ 41 bi; veja valores e como resgatar (06/04/2026)
- Gazeta do Povo: Investidores do Will Bank com aplicações no Master não terão ressarcimento adicional
- Metrópoles: Master usou ferramentas como Word e PDF para fabricar documentos falsos (set/2026)
- Metrópoles: PF diz que BRB tinha ciência e “não foi vítima” das fraudes do Master (set/2026)
- Wikipédia: Operação Compliance Zero (verbete com referências)
- Jornal do Brasil: PF deflagra 3ª fase da Operação Compliance Zero; policiais cumprem quatro mandados de prisão preventiva, incluindo a de Daniel Vorcaro (mar/2026)
- Congresso em Foco: Julgamento do caso Moraes-Vorcaro no STF é adiado após pedido de vista (15/09/2026)
- Gazeta do Povo: Defesa de Vorcaro ataca vazamentos e “espetacularização” do Caso Master (set/2026)
- Jornal de Brasília: Defesa de Vorcaro pede revogação de prisão preventiva (set/2026)