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Bens no exterior

Vorcaro nos EUA: o que o liquidante do Banco Master pede na Justiça da Flórida

Enquanto o caso penal está parado no STF, a recuperação de bens avança num tribunal de falências da Flórida. O liquidante do Master quer de volta três imóveis comprados por empresas de Delaware e diz que foram pagos com dinheiro desviado do banco. Ainda não há decisão.

· 8 min de leitura

Neste artigo

Resumo em 30 segundos

  • Desde janeiro de 2026, a Justiça de falências dos EUA reconhece a liquidação do Master e autoriza o liquidante a buscar bens do banco no país. Vorcaro foi o único a se opor. (Jones Day, The Rio Times)
  • Em 7 de outubro de 2026, o liquidante pediu três imóveis em Aspen e em Miami, comprados por mais de US$ 168 milhões, ou a devolução de pelo menos US$ 169,5 milhões. (Times Brasil, The Rio Times)
  • Os réus são duas empresas de Delaware donas dos imóveis. Vorcaro não é réu nessa ação. (Times Brasil, Jovem Pan)
  • Segundo o liquidante, o dinheiro saiu do banco por fundos nas Bahamas. Um prestador de serviços de lá diz que também foi vítima. (Metrópoles, The Tribune (Bahamas))
  • Não há decisão. As empresas têm até 9 de novembro para responder. (Jovem Pan)

O que é fato e o que é alegação. Os valores e o caminho do dinheiro descritos abaixo estão na petição do liquidante, que é uma das partes. Nenhum juiz decidiu se os imóveis pertencem à massa do Master. A petição tem trechos sob sigilo, e este site não a leu na íntegra: as informações vêm das reportagens citadas.

O processo nos EUA

Quando o Banco Central liquidou o Master, em 18 de novembro de 2025, a liquidação passou a ser conduzida pela EFB Regimes Especiais de Empresas, representada por Eduardo Félix Bianchini (Times Brasil, The Rio Times). Em 10 de dezembro de 2025, o liquidante pediu ao Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida que reconhecesse a liquidação brasileira, com base no Capítulo 15 da lei de falências americana, que trata de processos estrangeiros (Jones Day).

O juiz-chefe Scott M. Grossman concedeu o reconhecimento em 8 de janeiro de 2026, por cima da única objeção, apresentada por Vorcaro. A decisão autorizou o liquidante a investigar bens e transações do banco nos EUA. Entre janeiro e fevereiro, ele enviou 28 intimações a marchands, lojas de luxo, bancos e outras empresas, e a Vorcaro (Jones Day).

Vorcaro pediu que as intimações fossem barradas ou limitadas. Alegou que eram amplas demais e que deveriam excluir sua vida pessoal. Em 6 de abril de 2026, o juiz negou a maior parte do pedido. Escreveu que esse tipo de investigação “permite uma apuração completa”, que pode revelar inclusive “se houve irregularidade”, e que o liquidante não precisava provar antes que bens tinham sido escondidos. Uma intimação ao Bank of New York Mellon foi limitada por regra de distância (Jones Day). Segundo a Jovem Pan, um recurso da defesa foi negado em maio (Jovem Pan).

O processo principal tem o número 25-24568-SMG e corre em Fort Lauderdale. As duas ações de outubro são processos derivados dele (Jovem Pan, The Rio Times).

A ação dos imóveis

Em 7 de outubro de 2026, o liquidante entrou com a ação 26-01362 contra a Clear River Properties LLC e a Goldbeach Properties LLC, empresas constituídas em Delaware que aparecem como donas dos imóveis. Segundo a petição, as compras foram feitas à vista, sem financiamento (Times Brasil, The Rio Times).

ImóvelCompradoraData da compraValor
Casa em Aspen (Colorado)Clear River11 de abril de 2024US$ 77 milhões
Casa em Miami (Flórida)GoldbeachJaneiro de 2025US$ 85,2 milhões
Segundo imóvel na mesma rua, em MiamiGoldbeachFevereiro de 2025US$ 6,9 milhões

Fontes: Times Brasil, The Rio Times

O liquidante pede que os três imóveis sejam reconhecidos como bens da massa do Master. Se isso não acontecer, quer que a Clear River devolva pelo menos US$ 77 milhões e a Goldbeach, pelo menos US$ 92,5 milhões. Também pede que os imóveis não possam ser vendidos durante o processo e que um administrador judicial cuide deles (Times Brasil, The Rio Times). Em reais, as reportagens falam em cerca de R$ 843 milhões; o número varia com o câmbio usado.

O caminho do dinheiro, segundo o liquidante

A petição descreve como, na versão do liquidante, o dinheiro do banco chegou às empresas de Delaware:

  • Mais de US$ 430 milhões foram para o Mosaic Short Duration Fund, nas Bahamas, entre 2023 e outubro de 2025 (Times Brasil, The Tribune (Bahamas)).
  • Um contrato de empréstimo de até US$ 350 milhões, de 9 de abril de 2024, ligou o fundo à Mosaic Group, que repassou recursos às empresas donas dos imóveis (Times Brasil, Metrópoles).
  • Uma transferência de US$ 76 milhões ocorreu em 9 de abril de 2024, dois dias antes da compra em Aspen (Times Brasil).
  • Depois da liquidação, entre dezembro de 2025 e março de 2026, cerca de US$ 37,5 milhões ainda foram para a Clear River e a Goldbeach (Times Brasil, Jovem Pan).

No total, segundo o Metrópoles, o liquidante afirma que mais de R$ 2,15 bilhões saíram do Master para o exterior (Metrópoles). A petição também cita o Fortress Legacy Trust, que a Jovem Pan descreve como ligado à família Vorcaro (Jovem Pan).

A segunda ação: a venda de um avião

Segundo a Jovem Pan, uma segunda ação, a 26-01351, trata de cerca de US$ 42 milhões obtidos com a venda de uma aeronave. Os réus são a PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. e a Insured Aircraft Title Services, que foram citadas em 5 de outubro e têm até 4 de novembro para responder (Jovem Pan). O Rio Times registra essa ação, mas diz não tê-la confirmado de forma independente (The Rio Times).

O que dizem os citados

  • Daniel Vorcaro: a defesa não respondeu ao Metrópoles nem se manifestou publicamente sobre a ação. Em depoimento anterior à PF, segundo o Metrópoles, ele disse que não era dono de mansão em Miami e que apenas alugava uma. O liquidante sustenta que o aluguel da casa de Aspen era de fachada, porque Vorcaro nunca pagou nem foi cobrado (Metrópoles, The Rio Times).
  • Clear River e Goldbeach: não se manifestaram, e não se sabe quem as representa (The Rio Times).
  • Mosaic Financial (Bahamas), que não é ré: o presidente, Robert Jensen, disse ao jornal The Tribune que “a nossa reputação é impecável” e que “fomos vítimas do escândalo do Banco Master”. Ele chamou a ação de “puramente tática”, pediu que o processo nos EUA seja suspenso até o STF esclarecer os poderes do liquidante e afirmou que “o liquidante não representa o interesse público no Brasil” (The Tribune (Bahamas)).

Nas Bahamas

Segundo o The Tribune, a Suprema Corte das Bahamas colocou o Mosaic Short Duration Fund sob administração judicial (receivership) e nomeou para o cargo Jerome Gomez. Em 8 de outubro de 2026, o tribunal também analisou o pedido de liquidação de outro fundo, o FAEX Fund Ltd., pelo qual teriam passado cerca de US$ 1,6 bilhão, segundo a acusação (The Tribune (Bahamas)).

Próximos passos

  • 4 de novembro: prazo de resposta na ação do avião (26-01351) (Jovem Pan).
  • 9 de novembro: prazo de resposta da Clear River e da Goldbeach na ação dos imóveis (26-01362) (Jovem Pan).
  • Depois disso: o juiz pode decidir sobre o bloqueio da venda e o administrador judicial antes de julgar se os imóveis pertencem à massa. Até 11 de outubro, não havia ordem de confisco (Jovem Pan).

O que isso muda para quem tinha dinheiro no Master

O que o liquidante recupera entra na massa da liquidação, que paga os credores na ordem prevista em lei. Isso importa para quem tinha mais do que o limite do FGC: a parte acima de R$ 250 mil vira crédito na liquidação, sem prazo nem valor garantidos. Veja como funciona na página FGC do Banco Master.

Perguntas frequentes

Vorcaro é réu nos EUA?

Não nas ações de outubro. Os réus são as empresas donas dos imóveis e, na ação do avião, outras duas empresas. Vorcaro participa do processo principal porque se opôs ao reconhecimento da liquidação e às intimações.

As mansões foram confiscadas?

Não. Até 11 de outubro de 2026, não havia ordem de confisco. O liquidante pede que os imóveis sejam reconhecidos como bens do Master e que a venda fique proibida durante o processo.

Quanto valem os imóveis?

Foram comprados por pouco mais de US$ 169 milhões no total, segundo a petição. As reportagens convertem o valor para cerca de R$ 843 milhões.

O que é o Capítulo 15?

É a parte da lei de falências dos EUA que permite reconhecer um processo de insolvência estrangeiro. Com o reconhecimento, o liquidante brasileiro pode buscar e administrar bens do banco em território americano.

Como acompanhar o processo?

O caso principal é o In re Banco Master, S.A., nº 25-24568-SMG, no Tribunal de Falências do Distrito Sul da Flórida. Os documentos ficam no sistema PACER, da Justiça federal americana. Este site vai atualizar esta página quando houver decisão.

Fontes desta página

Reunimos o que foi publicado por estes veículos e documentos. Clique para ler o original.

  1. Jones Day: Florida Bankruptcy Court Examines Scope of Discovery in Chapter 15 Cases (In re Banco Master, S.A., nº 25-24568-SMG)
  2. The Rio Times: Banco Master Liquidator Sues for 3 US Mansions (12/10/2026)
  3. Times Brasil: Liquidante do Banco Master recorre à Justiça dos EUA para recuperar imóveis de R$ 843 milhões ligados a Vorcaro (09/10/2026)
  4. Jovem Pan: Cerco a Vorcaro nos EUA avança: Justiça intima 4 empresas e mira mansões de R$ 843 milhões (11/10/2026)
  5. Metrópoles: Liquidante liga mansões de Vorcaro nos EUA a lavagem de R$ 2 bilhões (09/10/2026)
  6. The Tribune (Bahamas): Bahamas provider ‘victim’ of top Brazilian bank fraud (13/10/2026)

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