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Vorcaro e Moraes: o que diz o relatório da PF e o que o STF ainda vai decidir

Um relatório da Polícia Federal sobre contatos atribuídos ao ministro Alexandre de Moraes e a Vorcaro abriu a maior crise recente do Supremo. Moraes nega irregularidades, e o tribunal ainda não decidiu se o relatório vale.

· 5 min de leitura

Neste artigo

Resumo em 30 segundos

  • Em dezembro de 2025, o jornal O Globo revelou que o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, tinha contrato milionário com o Banco Master. (Wikipédia, Jornal do Comércio)
  • Em 1º de setembro de 2026, o ministro André Mendonça tornou público um relatório da PF sobre contatos atribuídos a Moraes e a Vorcaro. A PGR pediu a anulação do documento. (JOTA, CNN Brasil)
  • Moraes nega irregularidades. O STF começou a julgar o caso em 15 de setembro, mas o julgamento foi suspenso por um pedido de vista. (CNN Brasil, Congresso em Foco)

O contrato do escritório

Segundo reportagem do jornal O Globo publicada em dezembro de 2025, o escritório Barci de Moraes tinha contrato com o Banco Master com pagamentos de R$ 3,6 milhões por mês, cerca de R$ 129 milhões no total (Wikipédia).

Documentos divulgados em setembro de 2026 mostram um contrato assinado em 23 de janeiro de 2024, de R$ 131 milhões em três anos. Ele previa um programa de compliance e “consultoria estratégica” em procedimentos na PF, no Banco Central, na Receita Federal e no Cade (Jornal do Comércio).

Segundo o escritório, o ministro acessou e editou a versão final do contrato depois que o setor de compliance pediu uma verificação sobre possíveis impedimentos legais à contratação (Jornal do Comércio).

As reuniões com o presidente do BC

Ainda em dezembro de 2025, o O Globo publicou que Moraes teria defendido a compra do Master pelo BRB em conversas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Em nota de 23 de dezembro, Moraes negou. Ele disse que as reuniões com Galípolo, em 14 de agosto e 30 de setembro de 2025, trataram só dos efeitos das sanções da Lei Magnitsky aplicadas pelos Estados Unidos contra ele e contra sua mulher. Disse também que o escritório nunca atuou na operação de compra pelo BRB (CNN Brasil, JOTA).

Galípolo confirmou os encontros e também negou que o Master tenha sido o assunto (Wikipedia (EN)).

O relatório da PF

O relatório foi pedido por André Mendonça, relator do caso no STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência atribuída a Vorcaro. A PF o entregou em 27 de agosto de 2026 (Gazeta do Povo), e Mendonça retirou o sigilo em 1º de setembro. As íntegras foram publicadas pela imprensa (JOTA, Poder360).

Segundo o relatório, em 17 de novembro de 2025, dia da primeira prisão, Vorcaro enviou cinco mensagens de visualização única a um contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O contato respondeu com quatro imagens temporárias (Gazeta do Povo). Por serem temporárias, o conteúdo das respostas não foi recuperado (Wikipédia).

Em março de 2026, antes da divulgação do relatório, o STF publicou nota a pedido do gabinete de Moraes. A nota afirmava que essas mensagens nunca foram dirigidas ao ministro e que uma análise técnica ligava os registros a outros contatos da agenda de Vorcaro (Gazeta do Povo).

A disputa dentro do STF

  • 1º de setembro: a PGR pede a anulação. Argumenta que a medida buscou provas contra outro ministro do STF sem comunicação prévia à Presidência da Corte e sem análise do plenário (CNN Brasil).
  • 3 de setembro: Moraes pede que Mendonça seja investigado. O presidente do STF, Edson Fachin, dá cinco dias para as manifestações (Wikipedia (EN)).
  • 8 e 9 de setembro: Mendonça determina o afastamento do diretor-geral da PF e do diretor de Inteligência. Flávio Dino manda reintegrá-los, e Fachin suspende as duas decisões e convoca uma sessão extraordinária (Wikipedia (EN), Times Brasil (CNBC)).
  • 15 de setembro: na sessão, o plenário vota uma questão de ordem sobre juntar os processos que envolvem Moraes e Mendonça. Com placar provisório de 4 a 3, Dino pede vista. A validade do relatório não chega a ser analisada (Congresso em Foco).
  • 22 de setembro: Mendonça rejeita as acusações de Moraes e afirma que o ministro distorceu o conteúdo do relatório (Wikipedia (EN)).

O que acontece agora

O julgamento só volta quando Dino devolver o processo. Pelo regimento, ele tem até 90 dias (Congresso em Foco). Até lá, não há decisão sobre a validade do relatório nem sobre a continuidade da apuração que envolve Moraes.

Sobre uma possível CPI, o ministro Cristiano Zanin negou em 23 de setembro um pedido para obrigar o Senado a instalar uma CPI sobre a relação de ministros do STF com Vorcaro (Wikipedia (EN)).

O que dizem os citados

  • Alexandre de Moraes nega irregularidades. Diz que as reuniões com o BC trataram da Lei Magnitsky e, por meio do STF, afirmou que as mensagens citadas não lhe eram dirigidas (CNN Brasil, Gazeta do Povo).
  • O escritório Barci de Moraes diz que o ministro só acessou o contrato para checar impedimentos legais, a pedido do compliance (Jornal do Comércio).
  • A PGR defende a anulação do relatório (CNN Brasil).
  • A defesa de Vorcaro diz que as informações vazadas são seletivas, fragmentadas e descontextualizadas (Gazeta do Povo, Metrópoles).

Perguntas frequentes

Moraes é investigado no caso Master?

O STF ainda não decidiu. O julgamento sobre a validade do relatório da PF e sobre a continuidade da apuração foi suspenso em 15 de setembro de 2026 por um pedido de vista.

O que é pedido de vista?

É quando um ministro pede mais tempo para analisar o processo. O julgamento fica parado até ele devolver o caso. Pelo regimento do STF, o prazo é de até 90 dias.

Por que a PGR quer anular o relatório?

Segundo a PGR, a decisão que originou o relatório buscou provas contra outro ministro do STF sem comunicação prévia à Presidência da Corte e sem análise do plenário.

Qual foi o valor do contrato do escritório?

A reportagem original do O Globo falou em cerca de R$ 129 milhões, ou R$ 3,6 milhões por mês. Documentos divulgados em setembro de 2026 citam R$ 131 milhões em três anos.

Fontes desta página

Reunimos o que foi publicado por estes veículos e documentos. Clique para ler o original.

  1. Wikipédia: Escândalo do Banco Master (verbete com referências)
  2. Jornal do Comércio: Contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes com Master tratava de “consultorias estratégicas” (set/2026)
  3. JOTA: Saiba tudo o que diz o relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro. Leia a íntegra do documento (set/2026)
  4. CNN Brasil: Entenda o que o STF vai discutir no plenário em 15 de setembro (set/2026)
  5. CNN Brasil: Em nova nota, Moraes nega conversas com Galípolo sobre o Banco Master (dez/2025)
  6. Congresso em Foco: Julgamento do caso Moraes-Vorcaro no STF é adiado após pedido de vista (15/09/2026)
  7. JOTA: Moraes diz que falou sobre Lei Magnitsky em reuniões com presidente do BC (dez/2025)
  8. Wikipedia (EN): Banco Master scandal (verbete com referências)
  9. Gazeta do Povo: PF identifica mensagens de Vorcaro para Alexandre de Moraes em relatório (set/2026)
  10. Poder360: Leia as íntegras de documentos que revelam relação de Moraes com Vorcaro (set/2026)
  11. Times Brasil (CNBC): Presidente do STF convoca sessão plenária em 15 de setembro para analisar decisão de Mendonça sobre relação entre Moraes e Vorcaro (set/2026)
  12. Gazeta do Povo: Defesa de Vorcaro ataca vazamentos e “espetacularização” do Caso Master (set/2026)
  13. Metrópoles: Defesa de Vorcaro critica vazamentos e exposição de conversas com advogados (set/2026)

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